Terceirização: quem vai pagar o pato é você

Recentemente o tribunal mor decidiu, por maioria de votos (7 x 4), que a terceirização deve ser irrestrita nas atividades empresariais como forma de melhorar a lucratividade das empresas às custas dos trabalhadores pois esses, ao serem terceirizados, passarão a receber menos. Essa transferência na distribuição de renda agradou de sobremaneira os empresários mais afoitos pelo lucro fácil pois em épocas de crise é preciso dar valor ao ditado que diz que: 
"quem tem que pagar o pato é o pobre." 
Assim, o que era ilegal até bem pouco tempo passou a ser constitucional de forma que a contratação de terceiros, através de empresas interpostas, em qualquer fase do processo produtivo fica de acordo com o interesse e vontade do empreendedor. 
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O tema “lucrando mais com a terceirização” não é recente e já suscitou incansáveis debates no mundo do trabalho. Até então, a contratação de mão de obra através de empresa interposta para a atividade fim, era considerada ilegal já que a intenção de terceirizar é justamente reduzir custos pois a empresa tomadora do serviço vai ter que pagar, além do salário dos terceirizados, o lucro e as despesas do terceirizante. A mudança garante que quem perderá será o pobre miserável que vai receber menos para ter um patrão a mais na história. 

Embora a terceirização tenha permanecido na ilegalidade até então, o lobby empresarial cresceu ao longo do tempo fazendo com que o ato de terceirizar fosse ganhando espaços e aos poucos sendo permitido nas demais atividades como vigilância, limpeza e conservação, bem como nas atividades meio do tomador do serviço. 

A decisão do Tribunal foi de encontro à reforma trabalhista aprovada anteriormente pelo congresso. Congresso - eleito democraticamente pelos pobres - que aprovou uma lei que prejudica os pobres e facilita a acumulação de lucro dos ricos, segundo opositores à decisão. 

Por sua vez, a classe mais abastada considerou a decisão do STF como um avanço para a sociedade pois sepultou, enterrou e colocou uma pá de cal em cima do assunto "distribuição de renda". Fora isso, inúmeros processos que aguardam julgamento serão sumariamente encerrados favorecendo as empresas que terceirizavam ilegalmente.

Em comunicado, os empregadores afirmaram que a terceirização é uma realidade econômica imprescindível em um mundo competitivo e globalizado e que a precarização das relações de trabalho e emprego tão falada é apenas "fake news" de agitadores inconsequentes e sem compromisso com o bem estar do povo. 

As empresas contratantes e as prestadoras de serviços continuarão lucrando muito, fazendo o bolo crescer e mandando o dinheiro para algum lugar qualquer. A próxima meta, segundo especulações, é por fim às indesejadas ações judiciais que ameaçam, muitas vezes, a continuidade da atividade empresarial e dos empreendedores cujo único objetivo de vida é dar emprego e melhorar a vida das pessoas que são "quase que da família".

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