Empreiteiro ajuda malabarista em sinal de trânsito e emociona

Vivemos em dias tão corridos e cheios de tensão com horários a cumprir e trabalho a fazer que um gesto de solidariedade e de amor ao próximo se tornou coisa rara nos dias de hoje. Temos dificuldade em acreditar quando alguém relata algum caso ou outro nas redes sociais. Logo pensamos que se trata de uma história inventada com algum objetivo que não é sabido por nossas mentes laborais que só pensam em trabalhar por um salário de fome e tentar pagar as contas necessárias. 
malabarista, sinal de transito, circo, arte
Essa história emocionou as redes sociais.
Mas essa história eu mesmo assisti e depois de entender a profundidade do gesto quase chorei confiante com a certeza de que a humanidade ainda não está perdida. Eu estava com a moto parada no sinal, num dia de calor terrível, quando percebi no outro cruzamento um malabarista com os sapatos rasgados e roupas bem gastas fazendo sua arte por uns míseros trocados doados eventualmente por pessoas desconhecidas que assistiam aos malabares voarem de mão em mão como se dançassem em vão, a sinfonia para o fim das mazelas sociais. 

Em seguida, um carro de luxo estaciona e de dentro sai algumas pessoas. Uma delas é um empresário local do ramo das empreiteiras envolvidas numa dessas operações da polícia federal e as outras pessoas, certamente eram seus subalternos. O homem chama o artista de rua e vendo sua precária situação manda que um de seus subordinados tire os sapatos, o outro doe o paletó e um terceiro, a calça. O homem se surpreende com a atitude inesperada e se veste ali mesmo aos cliques e flashes das câmeras, sob um sol de rachar. 

O empresário, condoído com a situação do vivente artista, justificou a ação como um exemplo a ser seguido pois as pessoas deviam se doar mais ao próximo e ser solidários com a miséria alheia. O empresário lembrou que apesar de sua origem não ser humilde tem muitos colaboradores nessa condição e por isso sabe bem como essas pessoas vivem. Por fim, justificou a ação, devidamente registrada, como forma de incentivo às futuras gerações. 

Quando os altruístas estavam embarcando no veículo para seguirem seus rumos, alguém que acompanhava a ação de longe gritou: 
Em vez dessa papagaiada, dá um emprego para ele seu sofista miseralve! 
O carro sai. O malabarista retira, dobra a roupa com cuidado, a guarda junto à uma sacola na calçada e volta ao trabalho por uns trocados. O sinal abre e eu parto quase aos prantos pelo ocorrido.

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