Narrativa do filme: Um dia de fúria - parte 1

Um dia de Fúria (Usa: Falling Down; pt: Um Dia de Raiva) – 1993 – Direção Joel Schumacher - escrito por Ebbe Roe Smit. Michael Douglas é William Foster, um desempregado de uma firma de defesa que provoca uma agitação violenta em toda a cidade de Los Angeles ao tentar chegar à casa de sua ex-mulher a tempo para a festa de aniversário de sua filha.

Um dia de fúria, outdoor

O engarrafamento

O calor está sufocante e não há sequer uma brisa que amenize a temperatura. Foster está suando dentro do carro num engarrafamento e o sistema de ventilação não funciona. Segundo o rádio, uma carreta teria colidido com um carro, matando uma mulher e duas crianças. Em sequência outro veículos acabaram batendo atrás. A coisa foi feia pois foram necessárias três ambulâncias para remover todos os feridos. A situação deve demorar para normalizar. 

O congestionamento envolve as três pistas. A situação produz muito barulho - crianças gritando, pessoas reclamando e buzinando. Foster nota adesivos na traseiras dos veículos – “liberdade financeira” – “ele morreu por nossos pecados” – “como estou dirigindo? Ligue para 1 800 e coma merda”. Foster tenta abrir um pouco mais o vidro da janela e descobre que a manivela pifou. Ele tenta matar uma mosca que entrou mas não consegue. Ele abre a porta e abandona o veículo carregando uma maleta. O motorista de trás pergunta onde ele vai e Foster responde que vai para casa. 

Logo atrás, no mesmo engarrafamento, o policial Martin Prendergast observa um outdoor que foi pichado onde um boneco está pedindo socorro dentro do sutiã de uma mulher. Um outro policial chega de moto por entre a fileiras de carros e para ao lado do veículo de Foster. O motorista de trás diz que o carro foi abandonado. Martin entra na conversa. O policial diz que vai pedir um guincho e manda todos voltarem aos carros. Martin mostra a carteira de policial da divisão de roubos e convence que é melhor retirar o veículo da pista. Sua placa é Califórnia D-FESA. Martin diz que é seu último dia como policial – está se aposentando. O carro derruba a moto. A ex-mulher de Foster – Beth - chega em casa com a filha – Adele – o cachorro chamado Pimenta e um monte de pacotes do supermercado. Ela se apressa para atender o telefone. É Foster do outro lado da linha. Ele não fala nada. Ela desliga.

O coreano do mercado

Ele resolve fazer outra ligação mas não tem moedas suficientes para o telefone público. Ele vai até um mercadinho próximo e é atendido por um coreano. Foster entrega uma nota e pede que a troque. O coreano diz que não vai trocar e que ele precisa comprar algo. Foster vai até o refrigerador e pega um refrigerante, sente o frescor, encosta a latinha gelada no rosto e retorna ao balcão. O coreano cobra R$ 0,85. Foster questiona que por esse preço não sobra moedas para uma ligação telefônica e propõe trocar uma nota por moedas. O coreano diz que não tem troco e que ou ele paga ou vai embora. 

Foster se irrita com a pronúncia do coreano e vai em direção à saída mas retorna e pergunta se o coreano tem ideia de quanto dinheiro os Estados Unidos deu para a Coréia. O coreano pergunta o valor mas nem Foster sabe. Imagina que foi muito. O coreano manda Foster sair pois não quer confusão. Foster fica. O coreano tenta pegar um bastão embaixo do balcão. Os dois se engalfinham, o coreano cai e Foster pega o bastão, se irrita e atinge uma prateleira quebrando alguns vidros. O coreano, caído, se apavora e diz para Foster levar o dinheiro. Foster diz que não é ladrão e que só está defendendo seus direitos de consumidor e que o coreano é quem rouba ao cobrar R$ 0,85 por um refrigerante. 

Foster anda por entre as prateleiras e diz que vai fazer os preços voltarem a vinte e cinco anos atrás e pergunta quanto custa um pacote de rosquinhas com seis unidades. O coreano responde que custa R$ 1,12. Foster acerta uma paulada no pacote e diz que é caro. Em seguida pergunta o preço da aspirina. R$3,40 responde o coreano. Foster dá várias pauladas nas caixas do remédio. Baterias duplas, pacotes de quatro? O coreano hesita e reponde R$ 4,29. Foster ri e diz – boa tentativa. Vai até outra prateleira a ataca violentamente com o bastão por considera-la bastante suspeita. Mercadorias voam por todos os lados. Então vai até o balcão, pega o refrigerante de 350 ml e olha para o coreano que reponde que custa R$ 0,50. Vendido – Foster pega uma nota, coloca na registradora e retira o troco, diz que foi um prazer ter estado no estabelecimento e sai carregando o refrigerante, a maleta e o bastão.
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Martin conseguiu chegar até a delegacia e percebe que sua gaveta está cheia de areia do gato, uma brincadeira de mau gosto dos policiais babacas. A colega Sandra diz que tentou dissuadi-los e confirma que irão almoçar juntos mais tarde. Beth está ao telefone falando que a festa de aniversário da Adele vai ser simples, enquanto enche uma pistola d’água e entrega à filha. Foster liga para Beth mas está a linha está ocupada, então ele sai caminhando e percebe dois chicanos o observando. Martin recebe uma ligação da esposa Amanda. Ele quer que ele vá para casa pois está sentindo insegura.

A gangue de latinos

Foster está sentado e olha pelo furo de seu sapato direito, pega o classificados do jornal, rasga um pedaço, dobra e coloca dentro do calçado. Nisso é cercado pelos dois chicanos mal encarados que dizem que ele está invadindo e vadiando em propriedade particular. Os bandidos mostram uma pichação que significa que é proibido a entrada. Foster responde que entenderia se eles escrevessem na língua dele. Os latinos se irritam e Foster se levanta e supõe que eles devam estar travando alguma briga de gangues com disputa territorial e que os desagradou ao entrar no território, sem saber. Ele diz que entende e que também não iria querer os dois dentro do quintal dele. 

Foster então pede para sair e levar seus problemas para outro local. Os bandidos resolvem cobrar um pedágio – a maleta. Foster diz que não vai dar a maleta. Um deles saca uma canivete borboleta e aponta para o rosto de Foster que diz que estava tentando respeitar e não se meter na vida dos dois mas eles não permitiram que um homem sentasse e descansasse cinco minutos naquele lugar “precioso”. Foster pega o bastão que estava atrás da maleta ataca os dois pilantras, acertando uma paulada na cabeça de um deles e no braço de outro, que cai escadaria abaixo. Então vai em direção ao primeiro, oferecendo a maleta e balançando o bastão no ar mas o sujeito foge. Foster atira o bastão na direção do segundo marginal gritando que vai para casa. O marginal também foge. Foster então pega o canivete borboleta do chão e guarda no bolso da calça.
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Na delegacia, Martin começa a se desfazer de seus pertences e entrega a arma à outro policial quando o detetive Brian pede que ele colha o depoimento de uma vítima - senhor Lee – o coreano que chega falando em outra língua. Foster pergunta o que ele disse e Brian diz não saber pois é japonês e japonês é muito diferente de coreano. Senhor Lee senta e tenta fumar um mas é impedido então passa a responder à Martin. O agressor era branco e usava camisa branca e gravata cuja cor não lembra. Que ele era maluco e quebrou toda a mercadoria mas não roubou nada. Queria baixar os preços e o atacou. Que o chamou de ladrão, pagou pela bebida e levou o bastão que usava para se defender. Por não se tratar de roubo, Brian leva o senhor Lee para o setor de agressão.
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Próximo dali, os dois chicanos estão dentro de uma carro com mais dois membros da gangue e uma moça que quer que um deles vá ao hospital. Eles estão procurando Foster para uma vingança.
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Beth atende novamente o telefone e pede à Foster que não ligue e não a procure mais, pois o casamento acabou e ele nem sequer paga pensão. Foster insiste que vai ir para casa para ver Adele. Nisso os chicanos localizam Foster no orelhão, param o carro, a mulher desce e eles pegam submetralhadoras de uma mochila.  Beth diz que vai chamar a polícia. Foster diz que está indo para casa. 

Os chicanos começam a atirar em Foster com o carro em movimento. Inúmeras rajadas são disparadas. Muitas pessoas são atingidas na calçada e dentro de lojas próximas ao orelhão. Os bandidos perdem o controle do carro e se acidentam. Foster não é atingido, caminha em direção ao carro acidentado e reconhece um dos chicanos. Os outros três estão imóveis e ensanguentados. Foster pega uma metralhadora, atira na perna do chicano que estava consciente, pega também a mochila com mais armas e vai embora. A mulher que estava com os bandidos vai até o carro chorando.
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Martin está na sala do capitão de polícia conversando sobre aposentadoria e família. Martin diz que perdeu uma filha, ainda pequena.
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O malandro pidão

Foster chega a um ponto de ônibus de posse da maleta e da mochila. Há muitas pessoas ali. Pessoas esperando o ônibus, pessoas vendendo alguma coisa qualquer, pessoas com placas se oferecendo para trabalhar por comida, mendigos. O ônibus chega e as pessoas se aglomeram na entrada. Foster desiste de embarcar. Caminha pela calçada mas é impedido por um homem. Eles estão construindo um túnel do metrô. A polícia está na casa de Beth. Beth responde ao policial que Foster não pode se aproximar a menos de trinta metros e que apesar de ter tendências violentas nunca bateu na filha ou nela. Havia momento em que ela achava que ele bateria mas que ela nunca esperou para comprovar. 

Foster está numa praça movimentada onde crianças brincam, pessoas fazendo um som, um aidético pede ajuda com um cartaz, um veterano sem teto também usa um cartaz para pedir comida e dinheiro, dois policiais separam dois catadores brigando por um carrinho de sucata. Foster é abordado por um malandro e começa a andar. O malandro conta uma lorota, enquanto come um sanduiche, sobre ter vindo de carro de outra cidade para cobrar uma dívida de um amigo, mas que não o encontrou e precisa de dinheiro para voltar para casa pois teve que dormir no carro e está quase sem gasolina. Foster desconfia do malandro e pede para que mostre a carteira de motorista ou o registro do carro, 

O pilantra percebe que foi descoberto e muda de tática. Agora ele é veterano do Vietnã. Foster diz que ele é muito novo para ter ido ao Vietnã. Ele diz então que é veterano do Golfo e que só está querendo um trocadinho pois não come a três dias. Então percebe que ainda tem o sanduiche na mão. Foster diz quer não dará dinheiro. O vagabundo então pede cigarro, qualquer coisa. Foster o manda procurar emprego. O vagabundo então diz que o dono do parque e não é justo que Foster atravesse o parque com duas bolsas enquanto o malandro não tem nenhuma. Ele pede uma das bolsas. Foster dá a maleta ao pilantra e sai caminhando. O malandro se decepciona ao abrir a maleta e encontrar outro sanduiche, uma maça e um pacote de balas. Ele joga a maça em direção a Foster, que a chuta para um canto.
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Martin assiste ao interrogatório da mulher que estava com os bandidos. Ela fala de um homem branco que atacou duas pessoas com um bastão. Então ele conversa com Brian em frente a um mapa fazendo o roteiros das ocorrências.
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A concorrente do McDonald’s

Foster entra numa espécie de concorrente de McDonald’s e pede um cardápio de café da manhã mas a atendente diz que parou de servir o café a três minutos e agora é hora de servir cardápio do almoço. São 11:33 h. Ele insiste. Ela nega. Ele chama o gerente Rick. Ele pede o café da manhã. Rick nega – agora só almoço. A atendente Sheila assiste a conversa. Foster se dá conta que está chamando os dois pelos nomes como se estivessem numa reunião íntima. Foster insiste no café novamente. O gerente nega mais uma vez, sorrindo. Foster larga a mochila em cima do balcão e pergunta a Rick se ele não sabe que o cliente tem sempre razão. Rick diz que essa não é a política do lugar e que vai ter que pedir algo do cardápio do almoço. Sheila continua assistindo ao lado de Rick. Foster diz que quer café. Rick sente muito. 

Foster também sente muito e saca uma submetralhadora. Outra atendente grita. Em seguida todos os cliente estão gritando. Foster manda todos se acalmarem e sentarem. Ele impede que um titio meio careca saia, lentamente, pela porta. Enquanto fala, dispara a arma cujos tiros atingem o teto. Nova gritaria e nova tentativa de acalmar as pessoas. O gatilho era muito sensível. Foster se volta para Rick e pede café. Rick manda Sheila preparar. Foster olha para os clientes apavorados e muda de ideia -  agora ele quer almoço. Foster continua tentando agradar aos clientes. O almoço é entregue. Foster abre a caixa e se irrita com a diferença entre o hambuguer da foto e o da caixa.
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Martin e Sandra estão almoçando num restaurante próximo conversando sobre Amanda e a mudança que eles programaram. Curiosamente um dos clientes é o titio meio careca da lanchonete. O parceiro de Sandra chega e conta que um maluco entrou numa lancheria e puxou uma metralhadora porque tinham parado de servir o café. Depois pagou e saiu. Sandra o acompanha. Martin pede a Sandra que descubra se o sujeito estava usando camisa e gravata.
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Foster caminha pelo centro e percebe um sujeito protestando em frente a um banco que negou seu pedido de empréstimo pequeno porque o sujeito não era “economicamente viável”. Numa banca na calçada, Foster compra um presente para a filha – uma redoma de vidro com um cavalinho rosa dentro. A polícia chega a acaba com o protesto do sujeito, comprovando o que acontece com quem não é economicamente viável e protesta. O homem foi algemado e colocado dentro do carro de polícia. Quando o carro passou na frente de Foster o homem olhou para ele e disse: “não esqueçam de mim.”
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A polícia desiste de esperar Foster e sai da casa de Beth. Foster tenta mais uma ligação que dá ocupado. Ele sai da cabine e é interpelado por um sujeito estressado que afirma que existem outras pessoas querendo telefonar. Foster diz que é uma pena – então retira uma metralhadora da mochila e enche a cabine telefônica de bala – porque agora está enguiçada
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Martin alterna entre uma ligação da esposa e de Sandra. A esposa quer que ele vá para casa e leve frango sem pele desossado e pimentas vermelhas, não verdes. Sandra informa que o homem da lancheria estava com bolsa de academia cheia de armas e sem bastão de basebol. Martin manda a esposa fazer as compras e diz que vai se atrasar por causa da festinha de despedida. Martin pede que Sandra tome cuidado se for enfrentar o cara da lancheria.
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Parte Final

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