Bem de vida e me devendo, seu pilantra...

Parece mentira, mas a desfaçatez de algumas criaturas chega ao limite do absurdo. Maria, uma trabalhadora diarista, foi recomendada à uma nova cliente chamada Rosecleide. O serviço era simples: fazer uma faxina geral na casa da patroa. A casa era grande e logicamente a empreitada também. Maria acabou levando três dias de trabalho contínuo para concluir o serviço - 26 horas ao todo. Ao final, a casa estava uma belezura de limpa.
carro, desenho, bate panelas

Durante esse período em que Maria conviveu com a patroa notou que a mesma parecia engajada politicamente em alguma causa, vestia verde e amarelo com frequência, participava de passeatas contra o governo e numa noite presenciou a patroa Rose ir até a janela da cozinha e ficar batendo uma colher de pau numa panela por cerca de uns 3 minutos, enquanto assistia o Jornal Nacional e esbravejava palavras que não convém relembrar. 

Ao fim da empreitada, Maria acompanhou Rose numa inspeção ao resultado do serviço. Já era noite e Rose disse que estava sem dinheiro naquele dia e pediu a Maria que retornasse no dia seguinte para receber R$ 350,00. Maria achou estranho a patroa não ter o dinheiro combinado mas acabou concordando e foi embora. No dia seguinte, Maria retornou à casa de Rose mas não encontrou ninguém. Isso se repetiu por outro três dias consecutivos. Maria chegava na casa, tocava a campainha mas ninguém atendia. 

A diarista começou a perceber que tinha sido enganada. Trabalhou de graça para uma pessoa que visivelmente tinha condições financeira de pagar o combinado, mas não pagou. Maria ficava tentando achar uma explicação lógica mas não chegava a lugar nenhum. Duas semanas depois, Maria já tinha desistido e se conformado com a perda mas continuava se sentindo usada desavergonhadamente. No entanto, ao ver a filha acessando uma rede social resolveu pesquisar pelo nome da patroa: Rosecleide Magnata Trampolineiro. 

Para sua surpresa, Maria localizou a criatura e ficou indignada pois a mulher havia lhe passado a perna ao mesmo tempo em que exibia fotos em salões de beleza, fotos com seu iPhone, carro próprio, procedimentos caros de alongamento capilar e outras frescurites de madame grã-fina. 

Incentivada pela filha, Maria ingressou na Justiça do Trabalho contra a ex-patroa cobrando a dívida e indenização extra pela pilantrice patronal. Na audiência Rose tentou justificar que não tinha dinheiro, pois era uma pobre desempregada e se comprometeu em pagar assim que possível.

A juíza concordou logicamente, mas estipulou uma indenização extra de R$ 3.000,00 como penalidade pela tentativa de ludibriar as pessoas. Justificou que a trabalhadora se sentiu humilhada por tentar receber os pagamentos atrasados diversas vezes sem sucesso ao mesmo tempo que a patroa se mostrava para a sociedade, nas redes sociais, fazendo uso de objetos de valor e bem apresentada. Rosecleide teve que pagar a conta mas não aprendeu a lição. Ao menos ela parou de bater panelas.

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