Os maços de dinheiro do mal

Numa bela manhã de sol invernal, eu, então idoso, estava passeando cabisbaixo no caminho de um mercado a fim de espairecer e desanuviar a cabeça pois sentia que as coisas não estavam nada bem - não da forma que eu queria. De repente surge uma mulher em minha frente a qual, sem mais nem menos, se apresenta como uma espiritualista cuja missão na Terra seria a de ajudar pessoas afetadas pelo mal.
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Achei aquela encenação um tanto exagerada mas antes que eu pudesse me desfazer de sua presença, a mulher começou a contar determinados detalhes da minha vida que somente pessoas próximas a mim, se houvessem, saberiam. Isso me fez parar e prestar mais atenção no que estava acontecendo. 

Em seguida ela pegou na minha mão e em meio a um leve tremor afirmou que os meus problemas eram efeito do mal olhado, que olhares da inveja de algumas pessoas estavam me levando para as sombras e que se eu não tomasse nenhuma providencia isso pioraria com o passar do tempo, afetando não só minha saúde mental, mas física também. 

Eu já estava ficando preocupado quando ela me disse que isso poderia ser desfeito através de um simples ritual de purificação em sua casa e que eu sentiria os efeitos positivos em poucos dias. Ainda um tanto receoso tentei me desvencilhar daquela situação e me afastando disse que não tinha tempo e que não poderia pagar por nada. Ela novamente segurou em minha mão e me convenceu a acompanhá-la ao garantir que não poderia receber nenhum tipo de recompensa e que tudo o que ela fizesse, faria por ser sua obrigação. 

Caminhamos até uma garagem a duas quadras, entrei no carro dela e no caminho fiquei repassando os recentes acontecimentos tentando ver alguma lógica naquilo. Fui voltar a mim quando, já dentro do pátio, ela abriu a porta do carro e me convidou a entrar numa casa circundada por um muro alto com um jardim atrás. Na sala ela retirou o casado comprido que vestia e me ofereceu um chá. Recusei e enquanto ela se afastava para outra sala pude perceber que seu rosto não era a única coisa atraente. 

Ela retornou e me conduziu a uma sala lateral onde sentei num sofá para o início do ritual que consistiu na movimentação próximo à minha cabeça de um pequeno galho verde embebido em um liquido transparente e no murmúrio repetido de algumas palavras incompreensíveis para mim. 

Estava me sentindo relaxando cada vez mais a ponto de recear acabar dormindo quando ela se afastou e disse ter tido uma visão que mostrava algo em minha casa como fonte do problema e que precisaríamos ir até lá para prosseguir com o ritual. Depois de quase ter cochilado sentindo aquele perfume suave e ouvindo murmúrios eu já tinha perdido qualquer receio de forma que concordei e assim, fomos para minha casa. 

Chegando lá ela passou a benzer e fazer orações em cada cômodo da casa iniciando pela frente até que, alguns minutos após, parou e me olhou espantada dizendo que a causa dos meus infortúnios seria uma grande quantia de dinheiro existente na casa. Levei um choque pois ninguém sabia que eu realmente tinha uma grande quantia de dinheiro ali - haviam cerca de R$ 687.000,00 escondidos dentro de uma grande e falsa bíblia sagrada localizada sobre uma escrivaninha na sala. 

Apesar do choque tentei disfarçar rindo da história e disse que meu problema era justamente a falta de dinheiro. Ela não se convenceu com minha atuação e afirmou que a origem do dinheiro o tornara amaldiçoado prejudicando quem o portasse e que se eu quisesse me livrar dos efeitos negativos da maldição teria que me livrar do dinheiro, caso contrário continuaria tendo problemas cada vez maiores. Novamente eu neguei a existência do dinheiro. Ela se virou em direção à saída e foi embora. Eu morri 25 dias depois.

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