O sofisma da reeleição ao mandato

Senhores... vocês precisam entender que os efeitos da manutenção no poder são nefastos a longo prazo. O poder ao longo da história sempre esteve concentrado nas mãos de poucos e vejam onde chegamos. A evolução durante esse período, em seu aspecto mais elevado, foi ínfima. Hoje, passados alguns milhares de anos de organização social, criadas aos trancos e barrancos, enfim conseguimos que cada cidadão tenha o direito a um voto, inclusive a mulher conquistou o direito de votar e ser votada. 
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vote com consciência, ou não.
Apesar dessa garantia, os números mostram que, por causa do machismo ou outros elementos retrógrados, esse direito não é usufruído em sua plenitude fazendo com que tenhamos que nos utilizar de medidas paliativas com as cotas legais e obrigatórias. 

Em tese, o voto do mais simples e humilde desempregado é um voto com o mesmo poder que o do mais rico e poderoso empresário. Na prática, nós sabemos que não é bem assim já que a falta de consciência política e educação, faz com que muitos tendam a ser alvo de manipulações oportunistas de políticos larápios, bem como os eleitores pilantras de plantão tendem a vender o voto por uma bagatela qualquer, visando apenas um pseudo "lucro" imediato. 

Essa circunstância nos faz lembrar que uma das principais transformações da monarquia para a república democrática foi a introdução da nova e revolucionária forma de alternância no poder - as eleições. Deixamos para trás os reis de outrora em que o poder era transmitido por consanguinidade ou pela força bruta e não podemos correr o risco de substituí-los por outro tipo de reis - os reis do voto. 

No nosso sistema, todo poder emana do povo e esse poder, em seu nome deve ser exercido. No entanto, as ações daqueles que exercem o poder devem visar o bem comum deste próprio povo, jamais o benefício próprio dos políticos, como naturalmente acontece. Assim, o povo elege seus representantes para o executivo e legislativo com um sistema que prevê a alternância de figurões. 

Cabe lembrar que o fim da monarquia visava, inclusive, instituir mecanismos de controle e limitação do poder estatal - no caso poder monárquico. O poder deixa de ser absoluto. 

Por inúmeras vezes se debateu a obrigatoriedade de estabelecer o limite de vezes que cada candidato pudesse ser eleito para determinado cargo. Essa discussão sempre partiu da oposição toda a vez que a situação tinha um candidato que arrebanharia muito mais votos. O mesmo acontecia ao inverso, quando a situação virava oposição. Quero dizer com isso que tanto oposição, quanto situação tem receio de não ganhar mais determinado cargo se o outro lado tiver um candidato mais forte. 

Não importa se esse candidato é honesto ou fez um bom trabalho. O fato dele ser reeleito mais de duas vezes inexoravelmente vai se traduzir em merda algo que cheira mal no futuro. Assim, apenas a possibilidade de que um candidato seja reeleito infinitamente e se torne o rei da parada, já é motivo suficiente forte para que estabeleçamos um limite razoável de dois mandatos. 

É preciso garantir a alternância de modo a evitar o enraizamento no poder e seus efeitos danosos para a sociedade já que a permanência ininterrupta cria ambiente propício para a ineficiência, acomodação, clientelismo e corrupção. 

Nós praticamente não fizemos nada para termos chegado à democracia, ela nos foi dada sem que nós tivéssemos feito esforço algum, mas não podemos esquecer das lutas que houveram outrora e das vidas que foram perdidas nessa luta contra o poder centralizado. Não podemos retroceder a ponto de permitir que novos reis do voto, eleitos democraticamente, causem o retrocesso. 

Os opositores à essa proposta, na verdade, defendem as velhas raposas da política que mesmo roubando conseguem se perpetuar no poder sendo reeleitas inúmeras vezes sem remorso algum. Precisamos dar um basta nisso e garantir que tanto a velha quanto a nova raposa não possam mais serem eleitas depois do segundo mandato. Precisamos dar a chance para outros. 

Alguns poderiam questionar a eficiência dessa medida já que o político malandrão ao ser barrado no segundo mandato na câmara, conseguiria se eleger pelo senado. Isso é verdade, mas temos que ter consciência de que não podemos ter tudo de uma hora para outra.

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