O poder dos meios de comunicação de massa

O diretor de jornalismo de um canal de televisão local marca uma reunião com o diretor de redação e convoca os demais para que se façam presentes, desde o editor-chefe, editor de fotografia, chefe de reportagem, repórteres e redatores. O diretor inicia a reunião: 
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Vamos definir uma nova campanha para a semana que vem. Quero todo o pessoal envolvido nisso e quero matérias diferentes contemplando vários aspectos da indústria madeireira, quero um diagnóstico preciso da situação desde o momento em que alguém pensar em cortar determinada árvore até o palito de dente produzido ao final. Quero apresentar quem são as pessoas por trás dessa indústria e como vivem, quero visitas pontuais às casas de alguns empregados e quero que mostrem o que eles comem, vestem e pensam do futuro, quero os números desse setor, área desmatada, como está acontecendo o replantio, quero saber sobre o faturamento, números de empregos, comparativos com outras regiões. Essas reportagens serão veiculadas diariamente, de segunda a domingo, em todas as oportunidades possíveis desde o início da manhã até o final da noite. Será uma campanha massiva e não envolverá apenas os noticiários, quero que o programa de culinária dê uns pitacos entre uma receita ou outra. Quero o programa infantil dizendo as palavras certas nas horas certas e quero que providenciem comerciais específicos para o período das novelas. Vamos fazer jornalismo intensivo minha gente. Vamos fazer o que sabemos fazer de bom. 
Algumas pessoas na reunião se entusiasmam afinal acaba de se confirmar o que era apenas expectativa, até então. Uma grande empresa madeireira fecha contrato com o canal de TV e passa a ser a terceira maior anunciante. Nisso o editor-chefe se levanta e diz: 
Vocês ouviram pessoal, vamos trabalhar. Quero que mostrem o melhor dessa empresa e que a partir da semana que vem os nossos telespectadores vejam o quão importante ela é para a região e passem reverenciá-la. 
O editor-chefe ia dizer algo mais quando foi interrompido pelo diretor de jornalismo. 
Pelo contrário. Não houve acerto em relação aos valores e a empresa não topou o acordo que propusemos. Logo não será anunciante. Então vamos dar uma amostra do que acontece com quem não segue os nossos princípios e interesses. Quero que foquem na parte ruim desse empreendimento.
Dez dias após a empresa madeireira reflete melhor e volta atrás. Fecha um contrato de publicidade e passa a ocupar a posição de terceira maior anunciante. Mesma época em que a televisão iniciou outra campanha mostrando o esforço feito para que os aspectos negativos denunciados fossem remediados. O desmatamento continua. Viva a imprensa livre.

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