O perigo de ter animais em condomínio

João morava num apartamento de 60 metros quadrados dentro de um condomínio de classe média em um bairro afastado do centro. Assim como outros condôminos, João também tinha um cão de estimação. Era um cachorro grande, uma espécie de cruza entre dogue alemão com mastiff, misturado com pointer inglês. Assim como o local onde o condomínio estava instalado era tranquilo, João também o era e dessa forma vivia seus dias sem maiores preocupações, aproveitando sua recente aposentadoria. 
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Fazia pouco tempo que João havia se mudado para esse local e diariamente saía para passear com Godofredo, seu cão e única companhia. Raras vezes os dois saíam para fora da área do condomínio. Na maioria das vezes o passeio se mantinha dentro das dependências muradas. Godofredo era um cão manso, apesar de sua aparência e olhar suscitar uma certa dúvida quanto à essa afirmação. 

Em algumas oportunidades, quando não havia mais ninguém por perto, João se sentava em um banco próximo à pracinha de brinquedos e deixava o cão livre para vaguear pelas proximidades. Godofredo já não era tão novo assim e como tal, não corria. Caminhava para lá e para cá, fazia suas necessidades e depois retornava, satisfeito, para o conforto do apartamento junto a seu dono. 

Mas assim como haviam outros condôminos com cães, havia os que não tinham animal algum. Não porque não gostassem de animais, mas talvez porque não consideravam o local de moradia espaçoso o suficiente para abrigar um animal além de uma família. 

Alguns desses condôminos passaram a reclamar nas reuniões mensais sobre o barulho que alguns animais faziam e principalmente sobre as fezes que estes deixavam espalhadas pelo chão, já que sobre o mijo não há o que se fazer. Falavam do risco que isso representava à saúde das crianças. Alguém relatou o quão desagradável e fedido foi ter pisado por descuido num cocô.

Houve consenso de que os donos teriam que se responsabilizar pelo recolhimento dos dejetos e avisos foram distribuídos pelos blocos. Para reforçar foram confeccionadas placas educativas que foram afixadas em vários locais pelo interior do condomínio afora. 

A expectativa de que em um curto espaço de tempo a consciência e responsabilidade dos amigos dos animais aflorasse naturalmente, não aconteceu para frustração e indignação dos insatisfeitos reclamantes. Passados três meses do inicio da campanha, ainda se via cães soltos, donos coniventes e totalmente alheios aos avisos espalhados que pediam pela manutenção da área comum livre de fezes animais.

No entanto, um par de olhos profundos acompanhava, silenciosamente o desenrolar desses eventos. Os olhos de um paladino da justiça, de um organizador de coletivos, de um estabelecedor de boas práticas, de um regulador de ambiente, de um desfibrilador de consciências, de um arauto da convivência. Esses olhos estáticos perceberam que as palavras não foram suficientes para desabrochar o bom senso. Esses olhos passaram a tramar.

Dois dias após, percebeu-se que uma das placas educativas estava marcada com um xis vermelho e o corpo já sem vida de Godofredo jazia próximo à um montinho de bosta fresca. João desesperou-se e seus olhos incharam de ódio e seu coração ferveu com desejo de vingança... 

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