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Neoliberalismo e frustração sexual

Neoliberalismo nasce da frustração sexual

O Dr. John S. Le Quintrec (60), psicanalista francês mundialmente conhecido, causou recentemente alvoroço em um simpósio na cidade de Harvard (Massachusetts - EUA) deixando perplexa uma platéia de universitários, políticos e empresários quando expôs seu último trabalho, concluído após 3 anos de estudo e que envolveu pesquisas singulares em diversos países.
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gráficos apontam números do estudo

Le Quintrec, que dedicou-se a partir dos 18 anos ao estudo de temas diretamente relacionados com a evolução da humanidade e, que além de ter um currículo invejável já publicou diversos trabalhos premiados mundialmente buscou conceituar seu último trabalho numa perspectiva psicanalítica linear, desenvolvendo detalhadamente suas concepções e ressaltando a submissão do homem às exigências da organização social capitalista contemporânea.

Em sua obra denominada "Ensaio sobre o Neoliberalismo e a Frustração Sexual" afirma que o liberalismo moderno defendido pela doutrina neoliberal se trata sob seu ponto de vista psicanalítico, de uma tentativa do ego (proposto por Freud) em contato com o mundo exterior, de compensar inconscientemente uma indefinição ou frustração sexual vivenciada cotidianamente por grande parte dos que optaram por este caminho, acentuando-se a função de domínio imaginário da realidade e das pulsões.

Especuladores neoliberais no armário

Segundo o ensaio, a intensificação dos fluxos de capitais financeiros que permanecem voltados às aplicações puramente especulativas sem uma função social, ao serem aplicadas e desaplicadas diariamente nas praças que ofereçam as melhores oportunidades de lucros a curto prazo simbolizam, para 93% dos 5.715 especuladores pesquisados, uma espécie de compensação emocional e restritiva ao desejo inconsciente de "sair do armário" e assumir frente à uma sociedade machista e repressora sua condição latente, sem, obviamente, a correspondente constituição de prováveis vínculos afetivos, comerciais ou morais.

Políticas neoliberais

Quanto às políticas liberais e neoliberais de desregulamentação dos mercados adotadas pela grande maioria dos países subdesenvolvidos que eliminaram as tarifas e barreiras alfandegárias bem como adotaram uma conduta submissa de flexibilização dos direitos trabalhistas em prol dos interesses das grandes empresas transnacionais do primeiro mundo, Le Quintrec assume uma concepção que corresponderá, posteriormente, àquela do masoquismo secundário, que se distingue do masoquismo primário pela introdução da teoria freudiana da noção de pulsão de morte.

Para o psicanalista, no vulgarmente denominado “terceiro mundo”, 89% dos governos analisados, sentiram na globalização econômica imposta pelas grandes potências econômicas, uma forma de liberar suas tendências sado-masoquistas representadas de um lado por um conflito intra-subjetivo cuja neurose obsessiva constitui um ótimo exemplo a ser estudado.

Inversão de papéis

Le Quintrec salienta que, dependendo dos sujeitos envolvidos, são percebidas variantes antagônicas de comportamento, e que são explicadas pela teoria de inversão de papéis enquanto "busca subconsciente da identidade sexual". Durante esta busca psicológica, os governos analisados, em virtude de questões históricas, pressões econômicas e da própria dúvida subconsciente que os atormenta, tendem a agir caracteristicamente como o superego e, sendo assim mantém uma relação sádica para com a população, visualizada neste caso como sendo o ego.

Desta forma o toma como objeto do desejo, e nele encontrará seu gozo. Por outro lado, quando o sujeito passa ser externo, no caso, uma transnacional, dois protagonistas são colocados em cena em um duplo jogo de identificações num plano fantasmático. É nesse momento que há uma troca de papéis e onde os atores buscam satisfação plena e desinibida frente aos olhos da população que neste caso passa a exercer a função de voyeur.

Neste caso o superego sádico de outrora (governo em relação à população) transforma-se passivelmente em ego masoquista (governo em relação à transnacional), esse último pode assumir esta função por se identificar com o objeto que sofre e que remete à lembrança de possíveis traumas mal resolvidos na juventude.

Le Quintrec salienta que, paralelamente a isso, o masoquismo primário que é o resultado do entrelaçamento de pulsões eróticas e de uma parte das pulsões agressivas e destrutivas, continuam sendo dirigidas para o próprio ego, enquanto indivíduo. Sendo assim, subdivide-se em masoquismo erógeno, feminino e moral.

Ao erógeno se associam o desejo de se ver envolto e/ou de ser subjugado por uma multidão, enquanto as fantasias relacionadas com a atitude feminina passiva remete o indivíduo à negação da castração. Essa atitude seria próprio ao ser da mulher e diz respeito à sua correspondente posição na fantasia, numa visão puramente conservadora, encontrando-se presente no homem masoquista perverso.

Finalmente, o masoquismo moral corresponde às relações entre o superego e o ego em todos os casos em que um sentimento de culpa tornou-se inconsciente. Este sentimento freqüentemente associado à masturbação infantil, suscita uma necessidade de punição.

Liberdade e liberalismo.

Por fim Le Quintrec, sugere que muitos dos problemas enfrentados atualmente por milhões de pessoas tenderiam a ser bruscamente minimizados se essa gama de especuladores e políticos que se enquadram nas características descritas em sua obra se conscientizassem que o caminho seguido leva naturalmente à frustração vivenciada cotidianamente.

Indivíduos mal resolvidos sexualmente tendem, subconscientemente a fazer associações equivocadas (liberalismo, neoliberalismo) na esperança de alcançar a liberdade reprimida na infância. Quando esses indivíduos perceberem a singela diferença entre neoliberalismo e liberdade, passarão a doar e doar-se muito reduzindo progressivamente os problemas vivenciados.
finaliza.

Comentários

Ao final da palestra, conversamos com o Sr. José da Silva (47), casado, três filhos, marceneiro, natural de Bagé - RS, naturalizado americano a cinco anos, morador em um subúrbio pobre de Hartford (capital de Connecticut), que acompanhou dos bastidores a palestra de Le Quintrec e que nos deu a seguinte declaração:

Na minha opinião o problema mundial é o fato do poder estar em mãos desmunhecadas pela ganância. Concordo em partes com o professor mas não sei se vocês perceberam que há uma ligação entre o caráter e a estrutura social. A estratificação social nas modernas sociedades de base urbano-industrial e a concentração do poder nessas sociedades está em mãos de grupos formadas por empresários, militares e políticos profissionais, muitos deles não resolvidos sexualmente de forma que é perfeitamente compreensível entender porquê no mundo se vê essa tremenda sacanagem social. O tema discutido é importante, porém, na minha opinião, o francês deveria ter entrado com mais profundidade na questão dos intelectuais, da mídia em geral, incluindo comentaristas e apresentadores de programa de auditório. Achei meio superficial nesse sentido.

Já o mega-investidor Jules P. Cromwell, um dos tantos a aplaudir euforicamente e cumprimentar Le Quintrec, pareceu ter retirado um peso das costas e prometeu dar um novo rumo à sua vida e uma outra finalidade às ações de sua corporação.

Havia algo errado, eu sentia isso, mas não conseguia compreender as causas, conforme o John falava, sentia algo dentro de mim, e ia crescendo, agora estou mais aliviado e preciso repensar minhas atitudes... preciso compensar meus atos de alguma forma...

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