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Fazer justiça com as próprias mãos

É... ultimamente a situação não tem estado muito boa para você. Seu chefe canastrão resolveu ampliar as metas de produtividade do mês e a concorrência entre colegas de trabalho - que já era grande - agora está se tornando um fardo bem pesado em suas costas. É... é duro saber que você está lá trabalhando com afinco mas o resultado não aparece. Ao final do expediente você vê aquele sobrinho da chefia se vangloriando junto aos demais por ter tido um bom resultado nas vendas. Você está ali, olhando aquela cena ingênua e patética. Então pensa: Assim é fácil, pegou as melhores rotas e os melhores clientes.
Justiceiro, caveira
ganas de fazer justiça com as próprias mãos

Você sente este lugar pesado. Quer sair o quanto antes daqui já que se ficar mais um pouco vai explodir com certeza. Você está suando embaixo dos braços. Sua cara fechou-se como uma pedra. Está muito tenso. Uma sensação estranha lhe invade, a pressão faz você enxergar coisas corriqueiras de forma diferente, como se tudo estivesse em slow motion. Você pega o carro e segue para casa.

O transito está lento. O farol fecha. A falta de sincronia entre faróis lhe irrita ainda mais. Você ouve alguém buzinar logo atrás, olha pelo retrovisor tentando identificar quem é o imbecil. Sempre tem algum idiota que insiste na tese de que buzinando o farol liga no verde mais rapido. Idiotas... como eles se proliferaram ultimamente - pensa você. Você identifica o quem é o cranio apressadinho. Ele tá logo ali parado atrás de você e toca mais uma vez a buzina. Você coloca o braço para fora e faz aquele sinal peculiar com a mão. Que dia - você pensa. Você sabe que precisa achar um meio de relaxar. Pensa em parar em algum bar e tomar alguma coisa mas lembra que sua esposa vai criar mais um caso se sentir cheiro de bebida em você. Da última vez você bebeu mas foi numa reunião de trabalho, onde você achou que seria promovido, mas não foi. A vaga ficou para o mais puxa-saco - o sobrinho. O sinal abre e três quadras mais a frente torna a fechar, numa rua estreita.

Você é o terceiro da fila e nota que está ocorrendo um assalto no primeiro carro. Não fazem nem dois dias que uma moça foi assassinada desta mesma forma. Lá na frente, dois homens estão roubando uma mulher. Era só o que faltava para completar seu belo dia. Se fosse em outra ocasião qualquer talvez você estivesse sentindo apavorado, mas hoje não. Hoje a coisa não está boa e nenhum vagabundo vai levar a melhor sobre você. Você abre o porta luvas e pega uma chave de fenda e a encobre com a palma da mão esquerda, baixa o vidro da janela e torce para que eles venham até você. A adrenalina começa a surtir efeito.

Eles passam a atacar o segundo carro. Pelo retrovisor você vê as pessoas abandonando seus veículos às pressas. Mas você está ali, com os olhos fixos no sujeito a sua frente, só aguardando chegar sua vez. Você normalmente não faz isso mas hoje você está a fim de extravasar. Vai ser tu a pagar o pato, seu fdp - pensa você. Então algo acontece e os assaltantes saem correndo em outra direção. Você ouve uma sirene ao longe. O transito começa a fluir, devagar. Mais alguns instantes e você vai estar em casa, vai ver sua esposa. Emfim um lugar agradável - pensa você.

Você chega em casa e não encontra ninguém. Depois de procurar em todos os cômodos começa a se preocupar. Isso nunca tinha acontecido antes. O que está havendo? Ela sempre avisa quando vai sair. Então você percebe algo preso na geladeira... é uma folha de papel onde está escrito. "Sonhe comigo". Só nesse instante você lembra que sua esposa iria visitar sua sogra, hoje. Como você pôde esquecer? E agora ? - você se pergunta. Ainda tenso, você pensa em sua esposa. Chegou a hora de fazer justiça com as próprias mãos.

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